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EXCLUSIVO: médica veterinária esclarece dúvidas sobre cinomose em meio a surto em Ibotirama

Dra. Mariana de Abreu Jacintho dá orientações e dicas

09/05/2024 às 04h48 Atualizada em 11/05/2024 às 12h46
Por: Redação
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Foto: Anoir Chafik / Unsplash
Foto: Anoir Chafik / Unsplash

  ENTREVISTA EXCLUSIVA  
Dra. Mariana de Abreu Jacintho - Médica Veterinária

O surto de cinomose tem preocupado moradores de Ibotirama, levantando dúvidas sobre essa doença que afeta principalmente cães. Em entrevista exclusiva ao Blog do Oeste, a médica veterinária Dra. Mariana de Abreu Jacintho, sócia-proprietária da Clínica Patas do Sertão, traz esclarecimentos essenciais sobre a cinomose, desde seus sintomas até as medidas de prevenção. Confira a entrevista:

 

Há restrições ou critérios para a venda e aplicação da vacina?

Uma Resolução do Conselho Federal de Medicina Veterinária (Resolução CFMV n.º 1069/14) estabelece que a venda de medicamentos em pet shops e a realização de procedimentos, por exemplo, não podem mais ser realizadas por esses estabelecimentos, que devem, inclusive, oferecer condições adequadas para o bem-estar animal.

A venda de medicamentos, a aplicação de vacinas, bem como, a realização de pequenos procedimentos e cirurgias devem ficar restritas aos consultórios e clínicas veterinárias especializadas.

 

Vacinas nacionais e importadas têm a mesma eficácia? 

Três fatores contribuem para a qualidade inferior das vacinas nacionais em comparação com as importadas, levando a falhas na proteção dos animais de estimação.

Enquanto as vacinas nacionais são distribuídas para diversos tipos de estabelecimentos, como agropecuárias e lojas de ração, as importadas são vendidas exclusivamente por veterinários em clínicas e hospitais. Isso garante um controle mais rigoroso sobre a qualidade e a administração da vacina.

As vacinas nacionais são frequentemente aplicadas por pessoas inexperientes ou até mesmo entregues aos proprietários para aplicação em casa. Já as importadas são administradas por veterinários, que podem avaliar a saúde do animal e garantir a aplicação adequada.

A temperatura de armazenamento das vacinas é crucial para sua eficácia. Enquanto as importadas são armazenadas com cuidado em condições controladas de temperatura desde o laboratório até o ponto de uso, as nacionais podem ser armazenadas de forma inadequada em geladeiras comuns, sem controle adequado de temperatura. Isso pode resultar na perda de potência da vacina e na falha em proteger os animais contra doenças.

 

Animais doentes podem ser vacinados?

Não, animais doentes não podem ser vacinados. Os cães que estão com a imunidade comprometida não obterão o efeito protetivo da vacina.

 

Como é o ciclo vacinal?

Para prevenir a doença, é essencial realizar a vacinação anual do seu cão. A imunização contra a cinomose está incluída no conjunto oferecido pelas vacinas V8 e V10. No caso de filhotes, é recomendado administrar de três a quatro doses da vacina a partir dos 45 dias de vida, com um intervalo de 21 a 30 dias entre cada aplicação.

 

A vacina tem algum efeito colateral?

Os efeitos colaterais não são muito comuns, mas podem se manifestar. Os mais frequentes são: febre, inchaço na região da aplicação e sensação de desânimo. Mas não se desespere se o animal sentir dor no local durante 48 horas. Além disso, ardência, sede excessiva (polidipsia) e letargia também são muito comuns de ocorrer. Não se preocupe. No entanto, se o animal continuar apresentando reações por mais de 48h entre em contato com o médico veterinário.

 

Após vacinado, o cão ainda pode transmitir o vírus?

Um cão infectado elimina o vírus pela urina, fezes e secreções (nasal e ocular) até 90 dias após a exposição ao vírus. Portanto é importante evitar seu contato com outros cachorros durante o período em que está doente.

 

Como é feito o diagnóstico?

A detecção da Cinomose pode ser realizada através de testes específicos, como o teste Conclue Cinomose da. Esse método possibilita a identificação qualitativa rápida de antígeno ou anticorpo em amostras de secreção nasal ou ocular em apenas 10 minutos.

 

Como deve ser a higienização de locais com animais infectados?

           Isolamento do animal doente: O animal infectado deve ser isolado de outros animais para evitar a transmissão do vírus.

           Remoção de fezes, urina e secreções: Limpe e remova cuidadosamente todas as fezes, urina e secreções do animal doente do ambiente, utilizando luvas descartáveis e produtos de limpeza desinfetantes adequados.

           Desinfecção do ambiente: Desinfete todas as superfícies e objetos que possam ter sido contaminados pelo vírus, como pisos, paredes, camas, comedouros, bebedouros e brinquedos, utilizando produtos desinfetantes recomendados para eliminar o vírus da cinomose.

           Ventilação adequada: Mantenha o ambiente bem ventilado durante o processo de limpeza e desinfecção para ajudar a dissipar quaisquer partículas virais presentes no ar.

           Descarte adequado de materiais contaminados: Descarte adequadamente todos os materiais utilizados na limpeza e desinfecção, como luvas descartáveis, panos e materiais absorventes, em sacos de lixo próprios e bem lacrados.

           Medidas de proteção pessoal: Use equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras, durante todo o processo de limpeza e desinfecção para proteger-se contra a exposição ao vírus.

           É importante seguir todas essas medidas com cuidado e atenção para garantir uma higienização eficaz e minimizar o risco de disseminação da cinomose para outros animais. Em casos graves, é recomendável buscar orientação veterinária para lidar com a situação adequadamente.

 

Quais cuidados o animal doente deve receber?

Isolamento: O animal deve ser isolado de outros animais para evitar a propagação do vírus.

Controle da temperatura corporal: Mantenha o animal confortável, evitando que ele fique muito quente ou muito frio. Se necessário, forneça um ambiente aquecido ou resfriado, conforme as necessidades do animal.

Hidratação: Certifique-se de que o animal tenha acesso a água fresca e limpa o tempo todo. Se o animal estiver desidratado, é importante administrar fluidos por via oral ou intravenosa conforme orientação veterinária.

Alimentação: Ofereça uma dieta leve e fácil de digerir, como comida úmida ou ração em pequenas porções frequentes. Se o animal estiver com dificuldade para comer, pode ser necessário alimentá-lo com uma seringa ou tubo de alimentação.

Medicação: Administre todos os medicamentos prescritos pelo veterinário rigorosamente de acordo com as instruções. Isso pode incluir medicamentos para controlar a febre, tratar infecções secundárias e aliviar outros sintomas.

Monitoramento dos sintomas: Esteja atento aos sinais de piora ou novos sintomas e comunique imediatamente ao veterinário qualquer mudança no estado de saúde do animal.

Conforto e cuidado: Forneça um ambiente tranquilo e confortável para o animal descansar e se recuperar. Evite estresse e atividades extenuantes.

Apoio veterinário: Mantenha contato regular com o veterinário para receber orientações específicas sobre o cuidado do animal doente de cinomose e para garantir que ele esteja recebendo o tratamento adequado.

É importante lembrar que a cinomose é uma doença grave e pode exigir cuidados intensivos. Portanto, seguir as orientações do veterinário é fundamental para garantir o melhor tratamento e recuperação possível para o animal.

 

Quais são as orientações para quem possui mais de um cão em casa, especialmente quando um deles está doente?

O animal infectado com cinomose deve ser totalmente isolado do ambiente de convívio com outros cães.

 

Há risco de contaminação durante a tosa, banho e outros manejos, em pet shop e clínicas veterinárias?

Sim, há um potencial de contaminação durante atividades como tosa, banho e outros manejos em pet shops e clínicas veterinárias, especialmente se um animal estiver infectado com uma doença contagiosa como a cinomose. Porém os riscos são reduzidos quando os estabelecimentos seguem adequadamente protocolos de higienização, uso de equipamentos de proteção pessoal e isolamento adequado de animais doentes, por exemplo.

 

A cinomose tem cura? Como é feito o tratamento em casos confirmados?

Embora a cinomose possa ser tratada, não existem medicamentos antivirais eficazes para combater diretamente o vírus. O tratamento visa principalmente aliviar os sintomas, utilizando-se de medidas como fluidoterapia e administração de antibióticos, antieméticos, anticonvulsivantes, e, quando necessário, pomadas ou cremes para sintomas cutâneos.

 

Apenas cães são acometidos?

Embora os cães sejam os mais frequentemente afetados pela cinomose, outros membros da família Canidae, como os lobos, raposas e coiotes, também podem ser infectados pelo vírus da cinomose. Além disso, existem relatos raros de outras espécies de animais, como felinos e mustelídeos, como furões e doninhas, que também podem ser afetadas pelo vírus, embora esses casos sejam menos comuns. No entanto, a cinomose é predominantemente uma doença canina e representa uma ameaça significativa para os cães em todo o mundo.

 

>>O objetivo deste conteúdo é oferecer informações confiáveis à população, com base em relatos profissionais.
*A profissional responsável participou da entrevista voluntariamente.

=== Clínica Veterinária Patas do Sertão ===
Av. ACM, 150 - Centro - Ibotirama-BA
WhatsApp: 77 9963-0138
@patasdosertao
Responsável:

Dra. Mariana de Abreu Jacintho - Médica veterinária

 

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